Radar Games
← Edição de 2026-10-09

Artigo adaptado para o Blog da Loja dos Gifts a partir da posição 9 do radar.

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Lord British declara guerra à EA para recuperar Ultima, a franquia que ele criou

Richard Garriott usa uma brecha pouco conhecida da lei americana para tentar tirar Ultima das mãos da Electronic Arts depois de mais de três décadas

Imagine vender uma casa e, 35 anos depois, ter o direito legal de pedir ela de volta. É basicamente isso que está acontecendo com Ultima, uma das franquias mais importantes da história dos RPGs. Richard Garriott, o criador da série também conhecido como Lord British, formalizou o pedido para reaver os direitos autorais do jogo junto à Electronic Arts, e o processo já tem data para começar a valer.

O que Garriott está reivindicando

Garriott enviou notificação oficial à EA em abril de 2026, comunicando sua intenção de recuperar os direitos autorais de Ultima. A base legal usada é a Seção 203 da Lei de Direitos Autorais dos Estados Unidos, um dispositivo que permite ao autor original de uma obra cancelar a transferência de direitos feita a terceiros depois de 35 anos, e sem precisar pagar nada por isso.

A régua começou a contar em 1992, ano em que Garriott vendeu a Origin Systems, estúdio que ele fundou e onde desenvolveu Ultima, para a Electronic Arts. Fazendo as contas, o prazo se completa em 2027, data em que ele deve recuperar oficialmente o controle criativo sobre a franquia.

A reação da EA foi mais tranquila do que se esperava

Diferente do que se poderia imaginar em uma disputa envolvendo propriedade intelectual e uma gigante como a EA, não há sinais de resistência por parte da empresa até agora. Segundo relatos, a publisher reconheceu a validade da lei invocada por Garriott e respondeu de forma direta à notificação.

O próprio criador relatou a resposta da EA em tom quase informal: a empresa teria confirmado que conhece a legislação e que vai agir "de acordo com ela". As negociações entre as partes continuam em andamento, mas o clima descrito é de cooperação, não de embate jurídico.

A marca registrada "Ultima" fica de fora do acordo

Há, porém, um detalhe importante que separa o que Garriott vai recuperar do que continua sendo da EA. A Seção 203 trata exclusivamente de direitos autorais, não de marca registrada. E a EA se movimentou nesse front: em junho de 2026, a empresa renovou o registro da marca "ULTIMA" especificamente para jogos baixáveis e software online.

Na prática, isso significa que, mesmo com a vitória sobre os direitos autorais do conteúdo original, Garriott talvez não possa simplesmente usar o nome "Ultima" em um novo projeto sem negociar também esse ponto com a EA. É uma camada extra de complexidade que ainda está sendo discutida entre as partes, e que pode definir boa parte do que vem a seguir.

Por que essa franquia importa tanto

Para quem não acompanhou a época de ouro dos RPGs de computador, vale contextualizar o peso de Ultima. A série nasceu em 1981 e é considerada uma das fundadoras do gênero RPG eletrônico como conhecemos hoje. O impacto foi tão grande que Ultima Online, lançado em 1997, ajudou a moldar o que viria a ser o modelo de MMORPG, décadas antes de World of Warcraft existir.

O último jogo principal da franquia numerada foi Ultima IX, em 1999. Depois disso, a série praticamente desapareceu, com a exceção de Ultima Forever, um projeto free-to-play lançado em 2013 que não teve vida longa nem repercussão à altura do legado da marca.

O que Garriott planeja fazer com os direitos

Com a recuperação dos direitos autorais se aproximando, Garriott já declarou que pretende reunir desenvolvedores que fizeram parte da equipe original de Ultima. Ele chegou a afirmar que o projeto batizado de "Lord British's Ultima" vai recuperar todos os direitos autorais de seu trabalho original, e resumiu a expectativa com uma frase direta: o melhor ainda está por vir.

Ainda não está definido, porém, qual seria o formato do retorno. Garriott não decidiu se o novo capítulo da franquia seria um RPG single-player, mais fiel à essência clássica da série, ou um MMO, puxando o gancho de Ultima Online. Também não há nenhuma colaboração confirmada com estúdios como a Larian Studios, apesar de especulações nesse sentido circularem pela comunidade.

O que vem a seguir

Com a data de 2027 se aproximando e a EA sinalizando postura colaborativa, o cenário é de expectativa real, não apenas de uma disputa burocrática que vai se arrastar nos tribunais. Ainda assim, a separação entre direitos autorais e marca registrada deixa uma pergunta em aberto: será que Garriott vai conseguir lançar um "Ultima" de verdade, com o nome e tudo, ou vai precisar rebatizar seu projeto?

De qualquer forma, depois de mais de duas décadas sem um jogo principal da série, ver o próprio criador retomando as rédeas da franquia é motivo de expectativa para quem viveu a época de ouro dos RPGs de PC. E você, torceria para ver um novo Ultima nas mãos de Richard Garriott, ou prefere que a EA mantenha o controle da marca?

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Fonte: Inven Global | Shacknews