Radar Games
← Edição de 2026-10-15

Artigo adaptado para o Blog da Loja dos Gifts a partir da posição 9 do radar.

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Epic Games admite que novo anti-cheat para Linux ainda deixa o Steam Deck de fora

A empresa promete uma proteção quase equivalente à do Windows, mas o portátil da Valve não atende aos requisitos de segurança exigidos pela nova tecnologia.

Enquanto a Epic Games tenta provar que pode rivalizar com a Steam em velocidade e experiência de usuário, um detalhe incômodo apareceu no meio da comemoração. O novo sistema anti-cheat criado para rodar em Linux, batizado de Easy Anti-Cheat v2 (EAC v2), simplesmente não funciona no Steam Deck. E, por enquanto, não há previsão de quando isso vai mudar.

O que é o EAC v2 e por que ele importa

O Easy Anti-Cheat é a solução de proteção contra trapaças usada por uma lista grande de jogos competitivos, incluindo o próprio Fortnite. Até hoje, rodar esses títulos em Linux era um desafio constante, já que os sistemas anti-cheat tradicionais dependem fortemente de recursos específicos do Windows para detectar modificações maliciosas.

Com o EAC v2, a Epic promete mudar esse cenário. Segundo a empresa, a nova versão deve trazer "um nível de proteção muito mais próximo do Windows, em um futuro bem próximo". É uma declaração ambiciosa, considerando que a comunidade Linux convive há anos com jogos bloqueados justamente por limitações de anti-cheat.

Por que o Steam Deck ficou de fora

O problema é que o EAC v2 não trabalha com truques simples. Para funcionar, a tecnologia exige uma combinação específica de recursos de hardware e firmware: TPM 2.0, Secure Boot, kernel assinado digitalmente, IOMMU habilitado, modo de bloqueio ativo (lockdown) e suporte a módulos BPF. É uma lista técnica densa, mas o resumo é simples: o Steam Deck não entrega todos esses requisitos na configuração atual.

A própria Epic confirmou a limitação de forma direta: "O Steam Deck não suporta os recursos necessários para a nossa solução EAC v2, mas estamos em conversas ativas com a Valve e esperamos oferecer suporte no futuro".

Vale notar uma diferença importante em relação ao modelo usado no Windows: o EAC v2 não instala módulos de kernel no sistema, uma abordagem mais alinhada à filosofia aberta do Linux, mas que também explica por que o hardware precisa estar preparado de um jeito específico para validar a integridade do sistema.

Epic e Valve, rivais que precisam conversar

Há algo curioso nessa situação. Epic e Valve disputam diretamente o mercado de launchers e lojas digitais, mas quando o assunto é segurança multiplataforma, as duas empresas não têm escolha além de se sentar à mesa. Segundo a Epic, existe uma "linha aberta de comunicação com a Valve para oferecer suporte aos dispositivos Steam Hardware na maior extensão tecnicamente possível".

Nenhuma das partes deu um prazo. Isso significa que, por agora, quem joga em Steam Deck continua sem garantia de acesso a títulos protegidos pelo EAC v2, mesmo que o restante do ecossistema Linux comece a receber suporte.

Fortnite será o primeiro teste

Antes de levar o EAC v2 para outros estúdios, a própria Epic vai testar a tecnologia em casa. O plano é "pilotar o EAC Linux v2 primeiro no Fortnite", usando o battle royale como laboratório antes de liberar a ferramenta para desenvolvedores externos. Ainda não há data de lançamento do Fortnite para Linux, mas o movimento sinaliza que o suporte nativo está sendo tratado como prioridade dentro da empresa.

O contexto: um novo launcher de olho na Steam

O anúncio do EAC v2 não aconteceu isolado. Ele veio junto com a chegada, em versão preview, do novo Epic Games Launcher, lançado em 14 de outubro de 2026 com suporte nativo a Linux, algo inédito até então. A compatibilidade cobre distribuições como Ubuntu 22.04 LTS, Fedora 43 e Debian 12 ou versões mais recentes.

Os números divulgados pela Epic, baseados em testes da Keywords Studios, também chamam atenção. O novo launcher abre em 5,47 segundos, cerca de 1,8 vez mais rápido que a Steam, que levou 10,07 segundos no mesmo teste. A navegação pela biblioteca de jogos ficou até 30 vezes mais ágil em comparação com a versão anterior do próprio launcher da Epic.

Ou seja, a empresa está mexendo em várias frentes ao mesmo tempo: desempenho, suporte a Linux e segurança. Só que, no quesito segurança, o Steam Deck, que é hoje o portátil Linux mais popular do mercado, ficou de fora da festa.

O que esperar daqui para frente

Por enquanto, a mensagem da Epic é de cautela: o suporte ao Steam Deck depende de ajustes que fogem do controle exclusivo da empresa, já que envolvem decisões de hardware e firmware que são domínio da Valve. Enquanto isso não avança, jogadores que dependem do EAC em Linux precisam acompanhar de perto quais títulos vão aderir ao piloto iniciado pelo Fortnite.

Fica a dúvida: será que a Valve vai priorizar essa adaptação em um futuro Steam Deck 2, ou o suporte pode chegar via atualização de software no modelo atual? E você, acha que vale a pena a Epic insistir em um anti-cheat mais rígido mesmo sabendo que isso exclui parte do público portátil por enquanto?

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Fonte: Mixed News | Inven Global