Radar Games
← Edição de 2026-10-19

Artigo adaptado para o Blog da Loja dos Gifts a partir da posição 4 do radar.

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ARIDA, jogo baiano inspirado em Canudos, chega ao Planalto e ganha cross-save e demo de sequência

Estúdio de Salvador apresenta sua franquia ao presidente Lula no mesmo dia em que o governo oficializa regras do setor de games no Brasil

Um jogo ambientado no sertão baiano do século XIX, com uma protagonista que atravessa a seca em busca de respostas sobre a Guerra de Canudos, foi apresentado dentro do Palácio do Planalto. Não é todo dia que um estúdio independente brasileiro tem a chance de mostrar seu trabalho diretamente ao presidente da República, e foi exatamente isso que aconteceu com a Aoca Game Lab, estúdio de Salvador responsável pela franquia ARIDA.

A presença do estúdio na cerimônia não foi coincidência. O evento marcou a assinatura de um decreto que regulamenta o Marco Legal dos Games no país, e a ARIDA virou uma espécie de símbolo do que o setor nacional é capaz de produzir.

O que é ARIDA e por que ela chamou atenção

ARIDA é uma série de aventura e sobrevivência narrativa que se passa no sertão baiano do século XIX, com forte inspiração na Guerra de Canudos. A proposta do jogo é unir identidade cultural brasileira a uma jogabilidade que mistura exploração, sobrevivência e construção de narrativa em torno de um período histórico pouco explorado pelos games.

Já ÁRIDA 2: Rise of the Brave, sequência em desenvolvimento, expande essa base com sistemas de crafting aprimorados e mais profundidade histórica. Nela, a protagonista Cícera segue sua jornada por paisagens marcadas pela seca enquanto desvenda segredos ligados a Canudos.

A cerimônia no Palácio do Planalto

Em 19 de outubro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que regulamenta o Marco Legal dos Games, iniciativa prevista pela Lei 14.852/2024. O ato reuniu ministros, parlamentares, lideranças da indústria e criadores de conteúdo, e contou com a demonstração da ARIDA diretamente ao presidente.

Durante o evento, Lula comentou sobre a falta de conteúdo brasileiro nos games e defendeu o potencial do país em usar o formato para contar suas próprias histórias ao mundo. Segundo ele, o Brasil tem histórias extraordinárias para compartilhar globalmente através de jogos.

O decreto reconhece oficialmente os jogos digitais como obras audiovisuais interativas e produtos estratégicos da economia criativa, o que abre caminho para que estúdios como a Aoca Game Lab acessem mecanismos de financiamento já consolidados em outras áreas culturais. Entre as medidas previstas estão:

  • Simplificação na importação de kits de desenvolvimento, com isenções fiscais
  • Classificação fiscal específica para reduzir a carga tributária de estúdios
  • Linhas de financiamento e fomento à pesquisa no setor
  • Ações de retenção de talentos e qualificação profissional
  • Reconhecimento do eSports dentro do Sistema Nacional do Desporto
  • Criação da plataforma pública Game Brasil, que vai catalogar e dar acesso gratuito a jogos nacionais financiados com recursos federais, em modelo semelhante ao do Tela Brasil no audiovisual

Novidades práticas para quem já joga ARIDA

Enquanto a política pública avança, a Aoca Game Lab também entregou novidades concretas para os jogadores. ÁRIDA 1 agora conta com suporte a cross-save via Google Play Games, permitindo que o progresso seja sincronizado entre smartphone e PC sem perder nada no caminho.

Já quem tem curiosidade sobre a sequência pode conferir uma demo jogável de ÁRIDA 2: Rise of the Brave, disponível no Steam até 28 de outubro. É uma chance de experimentar de primeira mão o que o estúdio baiano está preparando antes do lançamento completo.

Por que isso importa para o mercado brasileiro

Ver um estúdio indie regional dividir o palco com uma política pública federal é um sinal forte para quem acompanha o desenvolvimento de games no Brasil. O Marco Legal dos Games promete facilitar a vida de estúdios pequenos e médios justamente nos pontos que mais pesam no bolso: importação de equipamento, tributação e acesso a financiamento.

E convenhamos, não é todo estúdio independente que consegue colocar um jogo sobre a Guerra de Canudos na mesa do Planalto. A repercussão pode ajudar a dar mais visibilidade tanto para a ARIDA quanto para outros projetos nacionais que vivem na sombra das grandes produtoras internacionais.

Conclusão

Entre o simbolismo político e as novidades práticas, a semana marcou um momento importante para o desenvolvimento de games genuinamente brasileiros. Com cross-save liberado e uma demo de sequência disponível por tempo limitado, ARIDA se torna um case concreto do que o setor pode entregar quando ganha espaço e apoio. E você, já conhecia a história de ARIDA ou vai aproveitar a demo de ÁRIDA 2 antes que ela saia do Steam?

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Fonte: Drops de Jogos | Gaming Era